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📅 Publicado em: 15/02/2025

Entre o que digo e o que sinto

Entre o que digo e o que sinto Em português, dizemos: “Eu não sei o que fazer com a saudade.” Mas na poesia, dizemos: “Vago pelos espaços vazios onde a tua ausência repousa, e deixo que o silêncio se transforme em grito dentro de mim.” Em português, dizemos: “Quero esquecer.” Mas na poesia, dizemos: “Enterrei as tuas promessas no fundo da minha alma, mas a terra nunca soube tapar o eco das palavras que nunca se disseram.” Em português, dizemos: “Sinto-me partido.” Mas na poesia, dizemos: “As fraturas do meu ser não se fecham, e cada pedaço quebrado carrega a marca da tua ausência.” Em português, dizemos: “Eu só queria que tudo fosse mais simples.” Mas na poesia, dizemos: “Dei corda a relógios que não sabem contar o tempo, e esperei que as horas se acomodassem ao ritmo do nosso amor que já se desfaz.” Em português, dizemos: “Espero que a vida te sorria.” Mas na poesia, dizemos: “Que o vento que toca o teu rosto seja suave, como o último suspiro que trocámos, nas sombras do lugar onde já não somos.” Em português, dizemos: “Não sei como perdoar.” Mas na poesia, dizemos: “Cravei-te no peito a dor de um amor que se despedaçou, e agora, cada batimento é um pedido de paz que nunca chega.” Em português, dizemos: “Eu queria voltar atrás.” Mas na poesia, dizemos: “Fiquei na fronteira entre o que desapareceu e o que jamais existiu, uma sombra no teu horizonte que permanece invisível.” Em português, dizemos: “Estou a tentar seguir em frente.” Mas na poesia, dizemos: “Cada passo que dou é um espelho quebrado, e a minha sombra ainda carrega o peso do que me foi arrancado.” Em português, dizemos: “Eu vou superar.” Mas na poesia, dizemos: “Juntei os pedaços da minha alma como se fossem fragmentos de vidro, sabendo que, por mais que tente, há partes de mim que nunca cicatrizam.” E assim, entre o português comum e o português poético, há uma linha ténue que se estende entre o dito e o não dito. O português comum diz o que a boca sabe de cor, enquanto o poético diz o que o coração aprendeu a esconder. O português comum se limita ao imediato, ao simples, mas o poético busca a alma das palavras, além daquilo que se vê, do que se toca, do que se sente. É na poesia que a saudade ganha peso, onde o silêncio se torna mais barulho que a palavra, onde o amor não cabe no corpo, e as feridas falam mais alto que os sorrisos. O português comum é prisioneiro do tempo, mas o poético vive entre os espaços, onde o passado e o futuro se tornam fragmentos e o presente se dissolve em metáforas. Porque, na poesia, a verdade nunca é só uma, é sempre o reflexo de todas as possíveis versões de nós mesmos. E é nessa diferença que encontramos a beleza: o português fala para ser entendido, o poético, para ser sentido. Poeta Estrábico

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